• Nestor Rabello

Quando o #metoo chegará à religião?

Há de ter um basta àqueles que se utilizam da fé para cometer crimes


Desde que o ex-todo poderoso de Hollywood Harvey Weinstein viu seu império desmoronar a partir de dezenas de acusações de abuso sexual e estupro, a indústria de entretenimento jamais foi a mesma. O movimento #metoo, que visou dar publicidade a acusações de má conduta sexual ganhou corpo, aterrorizando executivos de empresas de diversos segmentos.


Levantamento do The New York Times mostra que 71 homens em cargos de destaque em diversos segmentos, da política ao cinema, chegando até aos próprios veículos de comunicação, foram acusados ou condenados por abuso sexual.




Mas se o movimento que implodiu a redoma acerca de práticas reconhecidas até então somente interna corporis do setor de entretenimento, não dá para dizer que ocorreu o mesmo nas poderosas estruturas da religião e da espiritualidade.


De certa forma, são estruturas institucionalizadas não só no âmago das pessoas em todos os cantos do planeta, como são instituições que exercem forte influência sobre a forma com que as nações se organizam - apesar da separação entre a Igreja e o Estado em nações democráticas.


Foi apenas depois de anos de acusações e condenações de padres da Igreja Católica em todo o mundo que o Vaticano aboliu o segredo pontífice para abusos cometidos por integrantes da instituição. Em 2019, o Papa Francisco publicou um decreto para que tudo, envolvendo processos sobre esses casos, sejam conhecidos.


Mas não é só a Igreja Católica que, reconhecidamente, tem se enrolado para lidar com casos de abuso sexual ao longo de sua trajetória. Líderes espirituais de diferentes correntes também vem enfrentando acusações de má conduta sexual.


Líderes espirituais


O líder Sri Prem Baba foi acusado de abuso sexual no fim de 2018 pelos maridos de duas seguidoras brasileiras, em São Paulo, segundo a Folha de S. Paulo. Ele não negou as acusações e disse que nunca negou ter tido relações sexuais (apesar de pregar o celibato ao longo dos anos).


Já o guru da yoga Pattabhi Jois enfrentou anos de acusações de abuso sexual por parte de seus praticantes e estudantes. Desde sua morte, em 2009, ele foi acusado por mais de uma dezena de seguidores por abusos cometidos em sua clínica, na Índia.


Outro famoso guru, Bikram Choudhury, enfrentou processos judiciais por abuso sexual, e chegou a ter um mandado de prisão expedido, o que o fez fugir dos Estados Unidos.


Brasil


No Brasil, as manchetes recentemente deram grande projeção ao caso da hoje deputada federal Flordelis (PSD-RJ), que ficou famosa como cantora gospel e por ter adotado dezenas de filhos. Ela é investigada por ter arquitetado a morte do pastor Anderson do Carmo, em uma complexa trama de abuso sexual.


Lembrando que, em 2018, o famoso médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, foi acusado de liderar abusos sexuais desde os anos 1990. Foi condenado a 40 anos de prisão por ter estuprado cinco mulheres durante atendimentos em sua clínica espiritual, em Abadiânia (GO).


A juíza Rosângela Rodrigues dos Santos calculou que a pena poderia ter chegado a 63 anos de reclusão, o que não ocorreu devido à idade de João de Deus. Mas isso foi compensado levando em conta, segundo a magistrada, que o homem usou violência sexual se aproveitando da fé das vítimas


Apesar do grande avanço sobre a conscientização e responsabilização de casos de abuso sexual, ainda falta muito para que o problema seja lidado de fato. Em especial, naqueles episódios que envolvem pessoas em momento vulneráveis e que buscam conforto na fé - mas saem somente com cicatrizes para a vida.


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