• Ana Luiza Noronha

Antes de Greta: as ativistas ambientais da história

Greta Thunberg faz parte da nova geração de mulheres ativistas ambientais. Conheça alguns nomes importantes que vieram antes da “pirralha”.

Na última semana, ativistas do movimento "Friday for Future", Greta Thunberg, Luisa Neubauer, Anuna de Wever e Adélaïde Charlier, encontraram com Angela Merkel para conversar sobre as mudanças climáticas e a importância da União Europeia em tomar medidas mais drásticas para mitigar a mudança climática.


Photo by Markus Spiske on Unsplash

A reunião ocorre num momento em que a questão ambiental ganha cada vez mais destaque, desde a importância da preservação do meio-ambiente até a sustentabilidade do setor produtivo.


E foi nesse contexto que Thunberg sofreu ataques de negacionistas quando discursou na Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, mas os dados são muito claros.


Segundo a UNEP, órgão da entidade para o meio-ambiente, os países terão de intensificar e agilizar os esforços para conter a emissão de gases nocivos à atmosfera, em meio, diante da extinção acelerada da perda de espécies - até 10 mil vezes maior que a taxa de extinção natural, aponta a WWF, e com o grave despejo de material plástico nos oceanos, que pode triplicar para 29 milhões de toneladas métricas nos próximos anos.


Diante do importante esforço de várias mulheres para alertar sobre a mudança climática, selecionamos algumas personalidades de destaque em seus campos de pesquisa. A história do ativismo feminino ambiental passa por um grande momento, e a lista tende a aumentar a cada dia.


Rosalia Barrow Edge (1877 - 1962)


Hawk Mountain Sanctuary Archives/USFWS

Uma socialite de Nova York, ativista ambiental e sufragista. Ela é considerada a americana mais militante do conservacionismo. Em 1948, a revista New Yorker a descreveu como a única pessoa honesta, indomável e altruísta da história da conservação ambiental. Apesar de não ter formação em ciências naturais, foi educada por importantes profissionais da vida selvagem e natureza.

A principal causa dela foi a proteção das aves de rapina. Observadora de aves, trabalhou pela preservação da diversidade de espécies e lutou contra os perigos dos pesticidas e pela proteção das florestas naturais.


Em 1929, fundou o Comitê de Emergência de Conservação (ECC). Após anos combatendo a caça às aves de rapina nas montanhas da Pensilvânia, Rosalia Edge comprou a propriedade, proibiu a prática e construiu um santuário para os falcões.


Jane Goodal (1934)


Foto: Michael Neugebauer

Em 1960, com 26 anos, ela saiu da Inglaterra e foi explorar o mundo dos chimpazés, que até então era desconhecido. Na época, era secretária do importante arqueólogo e paleontólogo Louis Leakey, no Quênia.


Como não tinha ensino superior, Leakey arrecadou fundos e a mandou para a Inglaterra com o objetivo de estudar o comportamento e anatomia dos primatas. Foi escolhida para pesquisar os chimpanzés devido a sua paixão pela natureza e animais, além de contar com uma visão “crua” sobre o tema.


Para conseguir estudar, precisou vencer o machismo: na época não era aceito que mulheres solteiras pudessem fazer pesquisas sozinhas. Com o apoio de seu mentor e de sua mãe, conseguiu autorização para continuar o estudo.


Depois de dois anos em campo, no Parque Nacional de Gombe, Goodall fez descobertas revolucionárias. Os chimpanzés utilizavam ferramentas para pegar comida ou facilitar outras funções, além de não serem vegetarianos, como achavam na época. Em 1962, Leakey ajudou Jane a conseguir o PhD em Etologia, pela Universidade de Cambridge. Ela foi a oitava pessoa que foi autorizada a conquistar o título sem ter um curso superior.


Desde então, ela dedica sua vida aos chimpanzés e à conservação de seus habitats com o Instituto Jane Godall. É ativista contra o uso de animais para testes farmacêuticos, para esportes, em zoológicos e também é vegetariana ativista.


Dian Fossey (1932 - 1985)


Foto: Ian Redmond

Ela quebrou padrões para biólogas ao pesquisar o comportamento dos misteriosos gorilas da montanha em Ruanda. Conseguiu se aproximar dos animais imitando seus comportamentos. Além de identificar e catalogar diversos aspectos dos comportamentos dos animais, descobriu também a brutalidade da caça furtiva. Após a morte de seu gorila favorito, Digit, criou um fundo para acabar com a caça furtiva no país.


Ela e mais pesquisadores começaram a estabelecer rondas para evitar a caça e ainda desarmar armadilhas, além de pressionar autoridades locais para reforçar as leis contra a caça furtiva.


Infelizmente, ela foi encontrada morta em sua cabana nas montanhas de Ruanda em dezembro de 1985. O caso não foi solucionado, mas acredita-se que caçadores tenham sido os responsáveis. Os esforços dela continuam até hoje através da Dian Fossey Gorilla Fund.


Wangari Maathai (1940 - 2011)


Foto: Patrick Wallet

Nascida em uma área rural do Quênia, era bióloga com PhD em anatomia veterinária. Foi a primeira mulher africana a ganhar um prêmio Nobel pelo seu trabalho com a ONG Green Belt Movement, que visa ensinar mulheres quenianas a plantar árvores em locais de desmatamento e obter renda sustentável da terra.


Teve a oportunidade de cursar faculdade graças ao programa que garantiu vagas a 300 estudantes quenianos em universidades americanas. Depois de formar em biologia e fazer o mestrado, voltou para o Quênia e começou a ensinar anatomia veterinária na Universidade de Nairobi.


Foi ativa no Conselho Nacional de Mulheres do Quênia, presidindo o conselho entre 1981 e 1987. Ela é reconhecida internacionalmente pela sua luta pela democracia, direitos humanos e conservação ambiental.


Vandana Shiva (1952)


Greenpeace EU/Twitter

É uma ambientalista ativista indiana que defende a biodiversidade. Fundou o instituto de pesquisa Naydanya. A entidade trabalha pela proteção das sementes nativas da Índia, mantendo a diversidade e integridade desses produtos.


Ela ainda reforça a importância de apoiar fazendas agrícolas comandadas por mulheres para criar fontes de alimentos sustentáveis e promover o crescimento econômico dessas mulheres.


Suas pesquisas são consideradas como algumas das mais significativas para o meio ambiente e justiça social atualmente.


Isatou Ceesay (1972)


Foto: Luke Duggleby

É conhecida como a rainha da reciclagem na África. Nasceu em 1972, no Gâmbia, e desde pequena assistia pessoas jogando lixo diretamente em riachos ou lotes abandonados. A maior parte do seu trabalho é mudar a visão das pessoas sobre esse hábito. Em 1997, criou uma associação para catadores que ganhou proporções mundiais.


Atualmente, seu projeto transforma plástico encontrado em lixões em novos produtos, como bolsas, tapetes e acessórios. As mulheres do projeto conseguem renda suficiente para terem independência financeira e reduzem o impacto ambiental.


Greta Thunberg (2003)


Wikimedia Commons

Com 17 anos, Greta está lutando pelo seu próprio futuro. Estabeleceu as “Sextas pelo Futuro”, onde crianças fazem greve da escola para exigir ações para conter as mudanças climáticas. Ela é conhecida por seu jeito duro e direto de falar tanto com a mídia quanto com líderes políticos mundiais.


Seu discurso na ONU no ano passado tornou-se icônico. Na ocasião, ela questionou aos principais líderes mundiais: “Como se atrevem?”, em referência a falta de ações para diminuir a emissão de carbono.


Os exemplos de mulheres ativistas pelo meio-ambiente são muitos e não cabem apenas em um texto. Felizmente, temos muitas e muitos na linha de frente da batalha para diminuir as consequências de anos sem consciência ambiental. Infelizmente, ainda temos muito trabalho pela frente, mas toda corrente de boas ações começa com uma mudança de hábito, nem que seja o copo ou canudo de plástico que você recusou uma vez.

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